Textos

Heaven and hell

Hell and Heaven are very personal definitions and I think this should carry forward to the afterlife. I’ll explain how it’d work.

Some people live their lives making other people’s lives a living hell because of the fucking sins they think those other people commit. Meanwhile other people live by the golden rule of common sense, in which you do unto others as you would have them do unto you, that is, if you don’t like people doing something, don’t fucking do it yourself, dumbass. And that’s it.

So let’s suppose two people die. One is the everything-is-a-sin type and Two is the golden rule type.

One did some bad fucking shit during his life, but he believes all is forgiven if he just confesses and repents. But no sir, when you get to the afterlife, you’ll be judged by how you lived. If you believed what you were doing was wrong, but did it anyway, you are gonna REGRET IT. Big time, mothafucka. Life is a bitch, afterlife is the bitchest to you. So you believed in hell and all that crap? You are gonna get it. You’ll be judged and condemned by those rules. I mean, it just fulfilled One’s expectations of what the afterlife was going to be.

Two did what he thought was right, made some mistakes, learned from them, but mostly followed the golden rule, didn’t believe in sins or whatnot. He gets to the afterlife, sits down with whatever deity was less busy at the time and hears: “You had a good life, I heard, tell me all about it”. And they exchange stories about the highlights of Two’s life while drinking some heavenly brewskis. Two never EXPECTED anything, he just lived on not being an asshole all his life to beg for forgiveness at the last minute.

And then there’s Three. Three just couldn’t care less. He goes on with his life regardless of gods, devils, heavens or hells, not taking score of good deeds or bad. And he gets to the afterlife, they get him to the front desk, read his file and get him whichever deity gives the lightest punishment. Or not. They couldn’t care less either.

Máquina do tempo

TrilhosTodo mundo tem uma máquina do tempo.

A da Júlia era o metrô. Sempre que ia de casa para o trabalho e do trabalho pra casa ela contava os tetec tetec, tetec tetec das rodas de ferro passando pelas junções dos trilhos. Aquilo era música, encantava, o tempo fluía diferente. Tetec tetec. De fim-de-semana, ela fazia passeios de metrô. Conhecia todas as estações. De trem também. Viu lugares longínquos e diferentes, passando por viadutos, por casarões velhos de tijolinho aparente reclamados pelos sem-teto, por paredes e mais paredes subterrâneas de concreto. Tetec tetec. O assobio dos freios, as curvas, o apito das portas, as pessoas indo e vindo, o cheiro de graxa, o frio úmido e cavernoso das estações. Tetec tetec. Hora de sair, já? Acabei de entrar…

A do Monteiro era o violão. Ouvia uma música de manhã, pensava em tirá-la, colocava o violão no colo e partia. G – Am7. Encrencava num acorde, entortava os dedos, tentava achar uma alternativa, capotraste, aperta aqui, afina ali, bossa nova e rock’n’roll. G/B – G. Pega a palheta, solta a palheta, dedilha, solo, pestana — amava as pestanas, incompreendidíssimas e injustiçadas, fundamentais ao separar os persistentes dos desistentes, os músicos dos aventureiros. C – C#º – D – D#º. Diminutas, maiores, menores, com sétima, quarta, baixo em sol, fá sustenido, mi. Acordes que riam, choravam, pensavam. E que fome, hora do almoço, já? Janta!? Acabei de acordar…

A da Clara era a cozinha. Não era seu trabalho, nem de longe. Era um momento de concentração. Toc toc toc toc. Começava a picar cebolinha, salsinha, coentro, cebola, cenoura, salsão e as pessoas fora daquele recinto andavam mais rápido, ela mais absorta, as outras menos reais, mais borradas, inaudíveis. Toc toc toc toc. Cada parte da bandeira irlandesa de um mirepoix era um processo meticulosamente atemporal, um duelo da faca e da tábua de corte com a geometria pelo cubinho perfeito. Toc toc toc toc. Os cheiros se misturam fora da panela, esperando a vez de entrar no fogo. As carnes, tinha um carinho particular com elas, com os veios de gordura, com as fibras. Afiava a faca com o cuidado de não machucar a carne, mas cortar com precisão cirúrgica. Fogo baixo, pro sabor ficar mais impregnado. Tshhhhhh. Azeite, alho, cebola. Tshhhhhh. Hmmm, isso tá com uma cara ótima! Mas eu acabei de começar…

E as do Janja eram as putas. As feias melhores que as bonitas. Menos frescas, mais histórias, mais bizarras, mais histórias bizarras. Nhec nhec nhec. As horas e horas dirigindo o caminhão eram normais. Passavam no mesmo ritmo. Era trabalho, não amava, mas pagava as contas. Mas a hora da parada noturna era a mais esperada. Quanto menor a cidade, melhor. Não era nem tanto pelo sexo. Claro que era pelo sexo, quer mentir pra quem? Mas pelas histórias também, uns papos que só ele conseguia arrancar daquelas mulheres. Nhec nhec nhec. Por onde andaram, como chegaram ali, como era a vida delas fora daquele quartinho mofado, longe daquela cama dura. Umas eram bem normais, vida dura de gente que vive com o que pode. Outras fizeram coisas que deixavam até o Janja arrepiado. Nhec nhec nhec. Mas ele não julgava. Curtia. E depois do torpor do sexo vinha aquela embriaguez do sono bom e de repente o sol raiava pela janela e era hora de voltar pra boleia. Mas eu acabei de deitar…

Não é um DeLorean, uma Tardis, uma cabine telefônica, é ainda mais simples que tudo isso, às vezes envolvendo muito pouca ciência e muito mais intuição e do primeiro ao sexto sentido. Só que a gente viaja pro futuro, a uma velocidade diferente dos outros. De repente o tempo se estica, se espreme, se apressa, ultrapassa o relógio, zombando dele. Horas, minutos, segundos: horizontes, momentos, sensações. É o que faz 8s, olhando meio de lado, meio de viés, meio torto, relativizando, parecerem infinitas sensações.

Ouvindo música

Não sei se é só comigo. Duvido que seja, na verdade. Mas eu tenho uma maneira diferente da maioria pra se relacionar com música. Música tem um papel importantíssimo na minha vida, porque eu acredito piamente que me ajudou a desenvolver certas partes do meu cérebro e da minha personalidade que seriam certamente mais… “pobres” — digamos — do que são hoje.

Mesmo assim, eu acho que ouço música de um jeito diferente. A maioria delas (as que eu gosto, principalmente) mexe MUITO comigo. Mas não é algo que transpareça. Exemplo: saiu o CD novo do Foo Fighters. Comprei, botei pra tocar e entrei em transe. Não canto, não danço, não faço microfone com caneta, não faço \m/ com os dedos. Só ouço.

E dá pra transportar esse exemplo pra outras situações. Como um show, um bar com música ao vivo… Tenho um pouco de birra de show ao vivo. Óbvio que é muito legal ver o artista que se curte tocando ao vivo. Mas eu quero ficar na minha, ouvindo a música, curtindo aquilo lá sem aquele bando de gente mal-educada pulando e se empurrando e desrespeitando o personal space alheio. Não sei se é pelo fato de eu tocar, gostar e conhecer guitarra, baixo e (às vezes) cantar, mas eu “curto” essas situações de uma maneira que deve parecer bizarra diferente pras pessoas que me cercam. Eu preferiria muito mais ficar absolutamente quieto — como fico, na maioria das vezes.

Sei lá, é minha maneira de apreciar uma música e um músico. Eu olho e vejo como o cara tá tocando, cantando, batucando; que acorde ele tá fazendo, o tipo de dedilhado, batida; o instrumento que ele tá usando, o jeito que fulano grita no microfone, sacode a guitarra, pisa nos pedais; que pedais ele tem, quais ele realmente usa… Milhares de pequenos detalhes que eu nem sei se outras pessoas observam. E eu desligo completamente por fora. Desligo de tal forma que se alguém falar comigo é capaz de eu não ouvir uma palavra. Eu tô ali, dentro de mim, curtindo a música que tá tocando. E de fora, alguém olhando pra mim invariavelmente diz: “Você não tá gostando?”.

Mas por dentro eu vibro DEMAIS. Acho que é isso que dizem que é ser introspectivo.

Me dá um trocado?

Ainda na linha viagens, lembrei hoje de NY… Como esperam que você dê gorjeta pra TUDO e pra TODOS. Acho que é o mais irritante de lá, mas é a cultura deles, ok.

Mas antes da história, um pouco de contexto: eu tenho algumas manias. Lavo a mão muitas vezes, tenho uma pequena paranóia com limpeza e higiene, até abaixo a tampa do vaso antes de dar descarga pras nojeirinhas não espirrarem pra tudo quanto é lado no banheiro. Odeio pegar em maçaneta de banheiro depois de ter acabado de lavar a mão, porque como todo mundo sabe, tem muita gente porca que não lava a mão e, né, eca.

Contexto dado, voltemos a NY. Se você é como eu, você lê algo sobre o destino da viagem antes de ir pra lá, conversa com quem já foi, pra poder se situar um pouco sobre a cultura, o que é comum de se fazer no lugar, etc. E algo que todo mundo fala dos EUA é o lance da gorjeta, que tem uma gradação e que sempre deve ser pago, mesmo não estando descrito na conta e etc.

Aí você vai a um restaurante, paga a conta, curtiu o serviço, ok, 20%. Depois você vai a um bar, faz uma tab, chega no final, paga e se o serviço foi bom, de novo 20%. Ou se vai num bar e pede umas cervejas naquele esquema deles de pagar por pedido, vai dando 1 dólar por drink (remember, always tip your bartender), blablabla. Até aí, tudo ok, tudo normal, tudo fofinho.

Mas você decide ir a um club dançar. Abre uma tab e vai tomando umas cervejas. Naturalmente, chega a hora de ir ao banheiro. E tem um cara no banheiro. Trabalhando. Distribuindo balinhas e toalhas de papel. E, naturalmente, ele espera o quê? Gorjeta. Depois de go about my business no mictório (a.k.a. mijar), eu quero lavar a mão e tchau, certo? Errado.

Nessa situação:

  1. Você lava a mão e pega uma moeda, jogando todo o trabalho de lavar a mão no lixo;
  2. Você pega o dinheiro e dá pro cara antes de lavar a mão e o cara que se vire com o fato de você ter acabado de “coçar o saco ao natural”;
  3. Você ignora o infeliz. (Porque quem foi que teve a idéia genial de colocar um cara ali?!).

Resposta número três na cabeça, amigos. Vocês até podem inventar o número “4. pega o dinheiro antes de tudo e já dá pra ele”. Mas meu cérebro não teve tempo de processar a informação porque minha bexiga estava cheia. E digo mais: na mesma noite voltei três vezes ao banheiro e não dei gorjeta. Algo me diz que o dinheiro que esse cara ganha é bem sujo…

Trinta

Faltou um post sobre os 30 anos.

É que não foi uma mudança crítica nem traumática: “pá, dia 3 de maio, agora tenho 30 anos [mundo desabando à minha volta].”

Foi a concretização de vários momentos na vida de um fulano em constante evolução e aprendizado. Um snapshot de um instante. Um momento pra parar, olhar pra dentro de si e pensar: “Taí, você se tornou um grande cara, continue assim! [tapinha nas próprias costas e um sorriso largo e satisfeito].”

Eu gosto de mim, do Felipe de hoje, desse cara que me tornei. Os anos redondos são importantes pra gente parar e dar essa geral interna, ver se tá tudo legal e tocar o resto da vida com a certeza de que se está no rumo certo, ou pelo menos engatilhado.

E pra falar, vim, vi, venci. Agora tenho 30, e daí? É igual ter 29 com um ano a mais? É! Mas mais legal, não sei por quê. É mais redondo! =)

Pé de meia – parte 1

Há alguns anos fiz um curso de investimentos. Queria saber como guardar dinheiro da maneira mais eficiente possível. Como sou autônomo, tenho que cuidar da minha própria aposentadoria (previdência privada), fundo de garantia (poupança) etc. Já sei de antemão que não posso depender de facilidades de que gozam trabalhadores no regime de CLT, então preciso correr atrás por conta própria (como se já não bastasse ter que cuidar de toda a burocracia de manter uma empresa).

A primeira regra de investir é saldar as dívidas. Tentar fazer um pé de meia enquanto se tem uma dívida de cartão de crédito, por exemplo, é perder (muito) dinheiro. A não ser que seu dinheiro renda mais que os juros mensais do cartão de crédito (fato quase impossível, a não ser que você seja dono de um banco brasileiro), pare de guardar e salde sua dívida.

Ok, não tenho dívidas, como invisto meu suado dinheirinho?

Não existe resposta fácil pra isso, você deve pesquisar e ler bastante sobre o assunto, além de realizar um planejamento minucioso do quanto poderá gastar nos próximos meses, por quanto tempo vai fazer isso e ter a disciplina de ver aquele dinheiro crescer e não ficar tentado em sacar tudo para ir às compras. Se quiser, dá até pra fazer um plano de previdência próprio. Como?

Com a mágica dos juros compostos. Juros compostos são a incidência de juros sobre juros, ou seja: Você colocou 1.000 num fundo que rendeu 10% no primeiro mês e agora tem 1.100. Sem colocar mais nenhum centavo e com esse rendimento maravilhoso de 10% mantido mês a mês, no segundo mês seu lucro será de 110, pois incidirá sobre os 1000 mais o rendimento de 100 do primeiro mês. E esse lucro que o fundo gera mensalmente vai se amontoando cada vez mais. No mês 12, aqueles 10% renderão a você 285 dinheiros, ou seja, quase o triplo do lucro que você gerou no primeiro mês, isso só em cima daqueles 1.000 dinheiros, sem gastar um centavo a mais.

Se ainda parece pouco, digamos que você tenha a memória muito fraca e esqueceu desse fundo por 5 anos e ele tenha mantido seu rendimento intacto. Ao final desse período, aqueles 1.000 dinheiros se transformam em mais de 300 mil. No último mês dos 5 anos, só de juros o fundo paga a você 27.680 dinheiros. Assim que funciona a mágica de transformar 1.000 em 300 mil em cinco anos. Claro que encontrar um fundo que renda 10% ao mês é mais difícil que ganhar na megasena, mas foi só pra ilustrar a ideia. Se quiser brincar com a ideia dos juros compostos ou mesmo estudar e planejar um investimento, há uma ótima calculadora de juros compostos pra isso.

Consulte seu banco e leia com atenção a tabela de rendimento dos fundos que ele oferece. Como exemplo, veja a tabela de rentabilidade dos fundos do Banco do Brasil. Há os nomes dos fundos à esquerda e o % de rentabilidade mais à direita. Observe como a rentabilidade dos fundos evoluiu, não só a rentabilidade do último mês: se um fundo rendeu 15% no último mês, mas está com rentabilidade acumulada nos últimos 36 meses de -30%, pode não ser uma boa pedida para um prazo mais longo.

Depois de estudar a tabela de rendimentos do banco e escolher alguns fundos, leia as regras do fundo. Seguindo o mesmo exemplo, veja o portfólio de fundos do BB. Se você tem R$1.000 para começar seu investimento e o fundo requer um investimento inicial de R$40.000, já não é uma opção. É importante verificar também informações como classificação de risco, taxa de administração (valor pago ao ano em %) e aplicações subsequentes (um valor mínimo para aplicações posteriores, geralmente bem menor que o investimento inicial).

Além disso, é essencial ficar de olho nas notícias, principalmente se você investe em fundos de ações (ou diretamente em ações). Um setor pode ter um desempenho ruim, mas isso nunca é surpresa. A Petrobrás já foi considerada uma empresa sólida para se investir, mas de alguns anos para cá o desempenho de suas ações tem deixado a desejar. É interessante ficar de olho nisso, mas seguindo uma regra de ouro também:

O lucro e o prejuízo só são realizados quando o dinheiro sai do investimento. Regra que eu vou explorar no próximo post, porque dá pano pra manga!

“Então…” é o novo não

Esse é um texto que eu havia escrito no blog antigo não faz muito tempo. Espero que gostem.

O sim continua ali, firme e forte.
O não… Então… já nem tanto.
Ninguém mais diz que não pode comparecer numa festa, num evento, num happy hour, numa inauguração de sex-shop pra cegos…
Ninguém mais marca encontro tendo a certeza de que vai conseguir mesmo jantar à luz de velas com a futura nora da própria mãe. Ou passa uma cantada sem tomar uma cortada seca.
Ninguém mais honra os compromissos como antigamente se fazia:

“Bora?”
“Bora!” ou
“Não vai dar.”

Hoje todo mundo fica com os pés atrás, não sei como tanta gente ainda não deu de cara no chão. A resposta pronta é sempre um “então…” assim, com reticências. Nunca se sabe o que vem depois, mas já dá pra perceber que a pessoa, se for fazer o que foi proposto, vai meio a contragosto, meio forçada. O mesmo diálogo acima, num futuro próximo, quando o bom e velho “não” cair em desuso, vai ser assim:

“Bora lá?”
“Não.”
“Hein?”
“Então…”
“Ah…”

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