A primeira sessão do segundo dia foi tensa. Dentre os oradores, a maioria tinha o inglês BEM ruim. De não dar pra identificar mais do que duas palavras numa frase de 30. Estrutura da língua original transplantada pro inglês, velocidade de leitura, assunto bizarro, tudo contribuiu pra um delivery bem aquém do ideal da minha parte. Sem nenhum texto de apoio, tudo pra ser uma tragédia. Pra piorar, quando o inglês não era surreal, era surrealmente rápido (I’d guess NY). Ok, vem a pausa do coffee break, enquanto isso um colega do espanhol (que pegava relay da cabine de inglês e de quem a gente pegava relay)* vem me dar uns toques.

Já havíamos conversado fora da cabine, havia uma abertura para ele me dar uns toques, até pelo conteúdo da conversa prévia e pelo fato de ele ter uns 20 anos de experiência e eu modestos 3, 4.

Aí ele começou a falar que achava meu timbre de voz muito bom, minha dicção boa, muita clareza na minha fala, muita calma, MAS que eu dava muita pausa, que precisava aprender a “dosar” o texto, diminuir as pausas mesmo que elas viessem do orador.

Sei lá, eu tendo a respeitar quem tem experiência e tento aprender com isso. Nesse caso foi o que eu fiz. Ouvi o que ele falou e botei em prática na segunda sessão. Tudo beeeeeeem que era uma sessão em que os falantes de inglês eram muuuuuuuito mais fluentes e faziam metade do meu trabalho por mim. Mas eu tinha uma sugestão e resolvi botar em prática, afinal o problema não era minha tradução em si, era parte do meu delivery. E foi o que fiz, dosei a fala, falava mais devagar quando o orador entrava numa pausa. Do meu lado, achei que pus em prática a sugestão dada. Mas esperei o feedback que veio entre risadas:

“Olha, Felipe, se sua intenção era calar a minha boca agora, parabéns! Retiro todas as críticas que fiz. Estava de parabéns!!”

Made my day. 😀