Foi uma baita viagem. Como toda viagem, com altos bem altos e baixos bem baixos. Acho que nada ficou ali no meio, no equilíbrio. Mas como eu já uso o twitter como válvula de escape e acho que é besteira registrar o que foi ruim, prefiro comentar o que foi legal de viajar zentos km pra assistir uma banda que eu curto pra caralho.

Lá pelo final de 2009, tinha acabado de voltar da minha primeira viagem aos Estados Unidos. Tinha programado ir a NY, San Diego e San Francisco e algumas semanas antes de ir resolvi caçar algum show — afinal, isso lá não falta — e acabei encontrando e comprando ingressos pra um show do Pearl Jam na Filadélfia. Foi um dos melhores shows que eu assisti na vida, rendeu uma das melhores histórias também (que um dia eu conto aqui) e me deixou com vontade de mais. Depois de voltar, comentei com um amigo meu que no ano seguinte iria ver um show do Foo Fighters, nem que precisasse ir aonde eles fossem tocar. Em 2010 infelizmente não deu, mas em 2011 calhou de eles tocarem no Lollapalooza, um festival que sempre foi bem falado desde que eu me conheço por roqueiro. \m/

Resumindo, comprei ingressos, reservei passagens e hotel e fui, pra ver Foo Fighters e outras bandas que iam tocar lá. Dos que assisti e que passei a gostar e admirar mais: OK Go, Two door cinema club, Mayer Hawthorne and The County, Friendly Fires, Walk the moon, Girl Talk, Arctic Monkeys e, óbvio, Foo Fighters, que fez o show mais foda que eu já presenciei na vida.

Mesmo assim, não foi quase nada, o lineup é extenso pra caramba e a quantidade de show simultâneo não é brincadeira. O Grant Park é BEM grande, e de um palco num canto até o palco do outro canto devia levar uns 15 a 20 minutos caminhando, sem exageros. Minhas bolhas e calos no pé tão aí pra não me deixar mentir!

Os banheiros químicos eram bem utilizáveis, tinham uma fila de 5, 6 pessoas e não ficavam sobre uma poça de lama de esgoto, como rolou no SWU do ano passado. E eram limpos com frequência. Até demais. Explico: bexiga aperta, vou lá no banheiro dar uma mijadinha e pego um que tá livre, sem fila e tal. Claro, como não? Só que ele tava livre e sem fila porque o fulano da limpeza estava passando com o aspirador de… dejetos. E quando ele veio, deu um puta chute na porta e tentou abrir. Minha primeira reação foi gritar — em bom português, pq nessas horas não há poliglotismo que resista — PERAÊ!

Comer era tranquilo também, se vc não se importa com o junkfoodismo que impera por lá. De mais natureba eu achei uns dumplings de edamame que estavam uma delícia. Não peguei fila, mas ia fora do horário da janta dos nativos e acho que me dei bem nessa. Tinha fome toda hora e meu fuso horário estava uma beleza, ou seja…

Ah, a gente ganhava vários brindes legais… No único dia que cheguei cedo peguei um “”wayfarer”” — era de plasticão, mas útil se vc não quer botar o seu Ray Ban no jogo e arriscar perder, cair, entortar, etc. Também ganhei balinhas e protetor labial. Protetor solar, cadê? Mas tudo bem, eu levei.

O sol curte um rock também, viu? Só deixou o Lolla em paz no último dia, dando lugar a uma tempestade das boas, que atrasou o show do Arctic Monkeys e ameaçou atrasar o do Foo Fighters. Aliás, uma das coisas que tornou esse show especial foi a chuva. Quando o Foo Fighters entrou no palco, todo mundo já estava encharcado, enlameado, naquele estado de “graça” pela tempestade que rolou antes do show do Arctic Monkeys. Começaram a tocar e de repente ela volta, mais forte. E eles não param. Não param. Continuam tocando, mandando ver e aí vem o Dave Grohl e fala que não vão parar, a chuva que se lasque. E manda ver rock’n’roll atrás de rock’n’roll sem parar um segundo.

Em determinado momento, Dave (meu bro) desce do palco e começa a andar por uma abertura que tinha bem no meio da galera. Aí fica sentado na grade (até aí eu acompanhava tudo pelo telão). De repente, algo se ilumina uns 5 metros à minha direita, e lá estava o digníssimo, com a DG335 azul aparecendo. Só vi o cabelo e a ponta da guitarra, mas valeu viu. Como valeu.

“Tonight was fucking fucking” Grohl, Dave.