Foi durante a Segunda Conferência Proz aqui em São Paulo que eu vi @claudiamello e @marneves conversando sobre como muita gente ainda errava o uso de porque, por que, porquê e por quê. Eles comentaram informalmente, claro, mencionando o twitter. Pessoalmente, sempre que vou escrever qualquer um deles no twitter, uso “pq” por costume e por economizar quatro ou cinco caracteres (que fazem diferença numa mensagem mais longa). Mas decidi tomar vergonha e pesquisar a regra gramatical que rege o uso do por( )que(ê).

Por pertencerem a diversas classes gramaticais diferentes, o uso do por( )que(ê) não tinha um capítulo dedicado na gramática que eu consultei, mas era contemplado quando se falavam de advérbios ou conjunções subordinadas ou coordenadas, por exemplo. Buscando na internet encontrei algumas referências que agrupavam os porquês e resolvi simplificar aqui. Para informações mais detalhadas de cada caso, consulte minhas fontes: UOL Educação e Vem Concursos

  1. Porque (junto e sem acento): é uma conjunção subordinativa causal ou coordenativa explicativa (em alguns casos pode ser usado como conjunção subordinativa final e nesse caso específico pode ser substituído por para que);
    Usado em orações de explicação de causa ou para exprimir dúvida.
    Ex.:
    “Por que não trocou de carro? Porque não tinha dinheiro.” (Explicação dada como resposta para a pergunta.)
    “Não troquei de carro porque não tinha dinheiro.” (Observe que aqui o porque explica o motivo de não ter trocado de carro.)
    “Não trocou de carro porque não tinha dinheiro? Duvido.” (Nesse caso, não se questiona o motivo de não ter dinheiro, mas a relação entre os fatos, exprimindo dúvida.)
  2. Por que (separado e sem acento): é um advérbio interrogativo;
    Geralmente usado em orações interrogativas diretas ou indiretas.
    Ex.:
    Por que não trocou de carro?” (Aqui há relação direta com o questionamento, diferente do segundo exemplo acima.)
  3. Porquê (junto e com acento): é um substantivo;
    Em geral precedido pelo artigo, pode ser substituído por “motivo” (outro substantivo).
    Ex.:
    “Não sei o porquê de João não ter trocado de carro.” (“O porquê” aqui tem o mesmo sentido de “o motivo”, “a razão”.)
  4. Por quê (separado e com acento): é um advérbio interrogativo.
    Usa-se em finais de frase e quando o advérbio é usado de forma isolada.
    Ex.:  Você não vai no cinema por quê?
    Você vai comprar um carro novo? Por quê?

Esses casos contemplados são os mais comuns e os que são encontrados no dia-a-dia ao se escrever um texto, seja um post de blog ou um tratado científico. É útil decorar essas regrinhas e tê-las em mente. No twitter, mensagens de texto em celular, dois exemplos de ambientes em que precisão gramatical dá espaço à economia de caracteres, eu não hesito em abreviar. Mas a rapidez da internet e da comunicação contemporânea não é desculpa para não aprender a regra como ela é usada hoje.