Não sei se é só comigo. Duvido que seja, na verdade. Mas eu tenho uma maneira diferente da maioria pra se relacionar com música. Música tem um papel importantíssimo na minha vida, porque eu acredito piamente que me ajudou a desenvolver certas partes do meu cérebro e da minha personalidade que seriam certamente mais… “pobres” — digamos — do que são hoje.

Mesmo assim, eu acho que ouço música de um jeito diferente. A maioria delas (as que eu gosto, principalmente) mexe MUITO comigo. Mas não é algo que transpareça. Exemplo: saiu o CD novo do Foo Fighters. Comprei, botei pra tocar e entrei em transe. Não canto, não danço, não faço microfone com caneta, não faço \m/ com os dedos. Só ouço.

E dá pra transportar esse exemplo pra outras situações. Como um show, um bar com música ao vivo… Tenho um pouco de birra de show ao vivo. Óbvio que é muito legal ver o artista que se curte tocando ao vivo. Mas eu quero ficar na minha, ouvindo a música, curtindo aquilo lá sem aquele bando de gente mal-educada pulando e se empurrando e desrespeitando o personal space alheio. Não sei se é pelo fato de eu tocar, gostar e conhecer guitarra, baixo e (às vezes) cantar, mas eu “curto” essas situações de uma maneira que deve parecer bizarra diferente pras pessoas que me cercam. Eu preferiria muito mais ficar absolutamente quieto — como fico, na maioria das vezes.

Sei lá, é minha maneira de apreciar uma música e um músico. Eu olho e vejo como o cara tá tocando, cantando, batucando; que acorde ele tá fazendo, o tipo de dedilhado, batida; o instrumento que ele tá usando, o jeito que fulano grita no microfone, sacode a guitarra, pisa nos pedais; que pedais ele tem, quais ele realmente usa… Milhares de pequenos detalhes que eu nem sei se outras pessoas observam. E eu desligo completamente por fora. Desligo de tal forma que se alguém falar comigo é capaz de eu não ouvir uma palavra. Eu tô ali, dentro de mim, curtindo a música que tá tocando. E de fora, alguém olhando pra mim invariavelmente diz: “Você não tá gostando?”.

Mas por dentro eu vibro DEMAIS. Acho que é isso que dizem que é ser introspectivo.