Foi sem querer. Em 1999, me mudei pra Brasília porque meu pai tinha arrumado um trabalho lá. Tinha acabado de acabar o terceiro colegial (era assim que chamava na época, blz?) e estava certo que iria prestar faculdade de música na UnB. Era uma prova prática de dois dias, mais o vestibular normal, cuja nota de corte era das mais baixas. No ano anterior eu já havia me preparado com uma professora de violão pra tirar as peças necessárias, mas nada muito aprofundado.

Cheguei no local da prova, na faculdade de música, meio nervoso, com meu violão e foi um tapa na cara atrás do outro. Toquei as peças que tinha que tocar tranquilamente, havia estudado, foi tranquilo. Mas na parte de leitura rítmica (a examinadora colocava uma partitura na minha frente e pedia pra eu ler o ritmo) e na “leitura dinâmica” de partitura (colocava outra partitura na minha frente e falava: toca) eu me dei MUITO MAL. Não era bom o bastante pra ler uma partitura de bate-pronto. Não era fluente naquilo.

Segundo dia de prova, prova teórica. Sento num auditório com mais um bando de gente, um cara lá na frente fala: “escrevam na partitura o que eu vou tocar aqui no piano. Tomem essas notas de referência…” Olhei pro papel, olhei pro cara e basicamente comecei a desenhar bolinhas pretas nas 5 linhas da partitura. Saí com olhos marejados de lá pq sabia que não precisava nem esperar o resultado.

Semanas antes, no momento do preenchimento da ficha de inscrição no vestibular, li que se eu fosse me candidatar para algum curso que tivesse prova prática, era necessário escolher uma segunda opção no caso (por mais distante que pudesse parecer pra mim naquele momento) de eu não passar na prova prática. Peguei o manual e comecei a folhear a parte de oferta de cursos. Parei em tradução. Não pesquisei como era o mercado, não estudei a relação candidato/vaga, olhei pra ficha e assinalei a segunda opção.

Depois do fiasco na prova prática, fiz o vestibular, sem cursinho nem nada, e acabei ficando em 16º lugar. Eram 13 vagas. Nenhum desistente. Quatro meses de cursinho e tentei de novo no meio do ano: 4º lugar, 26 vagas. ¬¬

A partir dali foi paixão imediata. Eu podia estudar a fundo uma língua pela qual era apaixonado, o inglês, e aprender uma arte que se mostrava cada vez mais versátil a cada matéria nova ou texto que eu estudava. Da UnB me transferi pra Unibero em São Paulo porque meus pais já haviam voltado e eu estava com saudades da terrinha. E também porque tinham um curso de interpretação simultânea, que era uma área que me interessava muito.

Hoje já traduzi três jogos, estou indo pro meu terceiro livro infantil, fora os inúmeros eventos como intérprete.

Meus violões, guitarras, baixo e ukulele fazem parte da minha vida tanto quanto o inglês, francês, espanhol e português, só não tenho bacharelado neles.

Feliz dia do tradutor!