Se ainda não leu, leia Pé de meia – parte 1 pra poder entender melhor.

Voltando, digamos que seu fundo caiu 4% no último mês. Se você tirar o dinheiro, você realizou esse prejuízo, ou seja, perdeu 4% do que colocou. Mas se deixar o dinheiro lá e no curso de alguns meses esse prejuízo se transformar em um lucro de 15%, melhor. Mas você só realiza esse lucro se tirar o dinheiro do fundo. O erro que muita gente comete com frequência é se assustar com um eventual mau desempenho e correr pra “salvar” o dinheiro, realizando um prejuízo que poderia ser minimizado com o tempo ou até revertido em lucro para, aí sim, ser realizado.

O que acontece é que ao investir em um fundo, o indivíduo compra uma quantidade X de cotas. O valor dessas cotas é alterado com o tempo e a essa alteração de valor é que chamamos de rendimento, que pode ser positivo (lucro) ou negativo (prejuízo).

Exemplo: Se com 1.000 dinheiros Fulano comprou 20 cotas, cada cota vale D$50. Se o valor das cotas no mês seguinte cai pra D$30, Fulano ainda mantém suas 20 cotas, apesar de elas valerem D$600 no total agora. E o que ele deve fazer, vender? Não, se o fundo se mostrar instável e subir num mês e cair no outro, ele deve esperar pelo menos que cada cota ultrapasse o valor de D$50 para vender e não ter prejuízo. É isso que chamam de “comprar na baixa e vender na alta”. Um investidor mais atento, Beltrano, vai correndo comprar as cotas do Fulano, que comprou a D$50 e vendeu a D$30, pra depois vender a D$45, o que pra ele vai representar um lucro de 50%. Ou seja, apesar de Fulano ter tido um prejuízo de D$400, Beltrano lucrou D$300. E as cotas ainda nem voltaram pro patamar original… A chave é tentar ser Beltrano aqui, não Fulano, o que não é nada fácil.

Nada fácil porque é dificílimo “ler” o mercado e saber quando essas flutuações vão ocorrer e quando tirar proveito delas. Tem gente que faz isso diariamente, mas se você não trabalha especificamente com isso e só quer fazer seu pé de meia, faz sentido ter uma abordagem mais conservadora e deixar a especulação pros especuladores…

Tem uma “regrinha” que pode ser utilizada pra determinar a quantidade de dinheiro investido em renda variável e renda fixa. Pega sua idade (não precisa contar pra ninguém 😉 e subtrai de 100. O resultado é a porcentagem que deve-se investir em renda variável e a sua idade a porcentagem pra investir em renda fixa. O sentido nisso é que uma pessoa mais jovem tem consequentemente mais tempo pra esperar a “virada” dos papéis de ação que uma pessoa mais velha. Mas essa regra pode ser facilmente invertida se você não gosta de correr muitos riscos ou se precisa daquele dinheiro mais à mão, pra uma eventual emergência. Não deveria ser o caso, porque dinheiro de investimento é diferente de dinheiro pra emergências, são como se fossem duas poupanças diferentes.

Como já falei um pouco da renda variável, agora é a vez da renda fixa.

Pra investir em renda fixa, há diversos fundos DI dos bancos, mas há também o Tesouro Direto (que é onde todos os bancos compram títulos da dívida pública pra fazer render aqueles fundos DI, lê a composição do fundo que você vai ver). O site do Tesouro Nacional é o melhor lugar pra se aprender a investir nisso, então vou só explicar como funciona (de novo, não sou nenhuma autoridade no assunto, longe disso, então não se baseie somente no que eu digo e estude o assunto se quiser levar isso a sério mesmo).

Os títulos do tesouro nacional são basicamente uma maneira de emprestar dinheiro para o governo federal a taxas pré ou pós definidas. Se você já ouviu falar da taxa SELIC, que é a taxa básica de juros, já conhece uma delas. Um tipo de título pré-fixado tem o índice atrelado à SELIC, ou seja, rende aquele X% de juros por ano.

As vantagens do título público são as seguintes:

– Tributação menor: ela é proporcional ao tempo que o dinheiro fica lá, quanto mais tempo, menor a mordida do IR;

– Rendimento fixo: são baixos, mas relativamente estáveis, úteis pra fazer o jogo do juro composto.

As desvantagens:

– Se tirar muito cedo, paga-se muito imposto e pode-se perder o rendimento até aquele ponto. Só vale a pena se for “esquecido” lá.

– Algumas taxas pagam menos que a poupança e estudou-se criar imposto (sim, mais um) pra diminuir essa diferença.

Há um passo-a-passo no site do Tesouro que explica direitinho como comprar e um guia do que significa cada título. Há até um curso online da bovespa, então não precisa se limitar pelo que eu escrevi!